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Influenciadores

Dicas, partilha de experiências e best practices sobre blogging e influenciadores digitais

10.Dez.17

ENTREVISTA SÓNIA MORAIS SANTOS DO BLOG COCÓ NA FRALDA: O DIA A DIA COM HUMOR

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Foto: Cocó na Fralda

 

Sónia Morais Santos, mais conhecida pela blogosfera como Cocó, é mãe de quatro filhos e a cara por trás do blog Cocó da Fralda, onde partilha de tudo um pouco. Deste as peripécias do dia a dia, histórias hilariantes dos filhos ou entrevistas que a fazem voltar aos tempos de jornalista, o Cocó na Fralda é um blogue muito pessoal onde diariamente Sónia fala sobre aquilo que a apaixona. 

 

Quando e porquê começaste o teu blog? 
Comecei em 2008 porque era editora da revista Time Out Lisboa, escrevia muito menos do que estava acostumada, tinha 2 filhos, um deles terrível e sempre que chegava à redacção a contar as suas peripécias uma colega dizia: "Tu devias ter um blogue. Tenho a certeza que a maneira divertida como contas essas aventuras ia ser um sucesso". Essa pessoa era a Ana Garcia Martins, que trabalhava comigo e já tinha um blogue que era um sucesso. Tanto insistiu comigo que lá nasceu o blog. 
 
O nome do blog é claramente diferenciador. Nunca te deixou incomodada em nenhuma situação? Já pensaste em alterar? Porquê? 
Quando comecei não havia nada de comercial nos blogs. Era um diário, ponto final. Pensei que ia ser lido por amigos e familiares e uma ou outra pessoa que o encontrasse por acaso. E achei que dar-lhe um nome escatológico era uma boa forma de mostrar a quem viesse que ali não ia encontrar as coisas fofinhas sobre maternidade do costume. Aquilo era para desabafar! Não pensei que ia haver interesse comercial nos blogs, um dia, nem que iam dizer o nome do meu blogue em conferências, ou na televisão. Já pensei alterar. Mas depois... é difícil, já é uma marca. Mais: as pessoas tratam-me carinhosamente por "cocó". E eu gosto! Por isso, vai ficando. Logo se vê.
 

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Foto: Cocó na Fralda

 

O teu blog aborda que tema/s? Sei que não é apenas sobre os teus filhos, embora continuem a ser o tema âncora. 
Começou por ser sobre os filhos e sobre a família mas é cada vez menos. Por um lado porque os mais crescidos já quase não aparecem - têm direito à sua privacidade e era o que mais faltava que agora fosse contar coisas sobre a sua vida com as namoradas ou com os amigos ou com a sua vida íntima. Por outro lado, porque sou jornalista (ou fui) e apetece-me cada vez mais abordar temas giros, voltar a fazer reportagem, entrevistas... E percebi que tenho o canal certo! Eu posso continuar a fazer tudo isso, mas em vez de o fazer num jornal, fazê-lo no meu espaço, que tem 35 a 40 mil visitas por dia! Os temas são, por isso, muito variados. Da família à pedagogia, passando por desporto, por mudanças radicais de vida, por temas inspiradores e solidariedade... Há de tudo.
 
És jornalista e tiveste que entregar a tua carteira profissional em prol do teu blog. Como vives com isso? É algo que pensas em breve reverter?
Vivo mais ou menos bem. A vida não está fácil para os jornalistas e para o Jornalismo. Na verdade, o Jornalismo que eu gostava de fazer já não era nada fácil - eu gosto de fazer reportagem, de ir meter o nariz nos sítios, de sentir os cheiros, de tocar para contar como foi. Com os cortes na imprensa, é difícil. De maneira que acho que saí na altura certa. Mas custa-me. Sempre adorei o meu trabalho e por vezes bate aquela nostalgia. Mas, lá está, desde que percebi que posso fazê-lo no blogue... Estou muito mais serena. 
 
Como consegues continuar a ter conteúdo novo, ao fim de tantos anos? 
Essa é fácil! A vida acontece todos os dias. Basta estar atento e há material a toda a hora. A mais pequena insignificância, se bem contada, pode dar um bom post. 
 
Numa intervenção tua no Congresso Anual da APPM, onde participaste como convidada num painel sobre empreendedorismo, disseste que tinhas "vergonha" de dizer que a tua profissão é blogger. Ser Blogger é uma das novas profissões digitais, uma profissão que imensa gente deseja ter. Porque tens esse sentimento? 
Porque, infelizmente, há algum preconceito que envolve a vida de blogger. Há a ideia de que vivemos para os eventos do croquete, que escrevemos a troco de saquinhos de sampling, que somos umas ocas fúteis, que temos uma vida de luxo sem fazer nada. Não me identifico com o selo que se pôs (nem com algumas bloggers que efectivamente ajudaram a criar esse selo) e, por isso, confesso que é raro dizer a alguém que sou blogger. Talvez seja o meu derradeiro preconceito. Tenho que o ultrapassar. :)
 
Quais são os skills que não tinhas e tiveste que ganhar por passares a ser blogger? 
Tive de perceber que tudo o que escrevemos é susceptível de ofender alguém. Se dissermos que a equipa de futebol X jogou pessimamente, que pareciam todos coxos, vão chover emails de pessoas com problemas motores zangadas porque fizemos uma alusão infeliz. E é assim com TUDO. Por isso, tornei-me muito mais cuidadosa. Leio mil vezes, à procura do ponto por onde alguém possa pegar. E mesmo assim não me safo (risos). Outros skills: tive de me actualizar. Primeiro era só o bloque, depois tive de adicionar o Facebook, a seguir o Instagram, agora também querem InstaStories, e directos e o diabo! Sou uma pessoa de idade! Dá para se acalmarem? Fiz há pouco tempo um curso de edição de vídeo porque agora o que está a dar são os vídeos... Enfim. De monotonia não morro! 
 
Já vi que trabalhas muito bem as marcas, que as envolves sempre numa história que contas, não aparecem de forma forçada (excetuando a publicidade que é gerida pela rede em que estás inserida). Tens alguma agência a suportar-te nesse trabalho criativo? Como te inspiras? 
Não tenho ninguém a trabalhar para mim. Acho que ser jornalista e gostar de escrever e, sobretudo, ser verdadeira ajuda no processo. Talvez as pessoas não acreditem mas não aceito escrever sobre o que não gosto ou não consumo ou não conheço. E, por isso, fica fácil contar uma história porque geralmente os produtos de que falo já são muito cá de casa. Ou, por ter experimentado e gostado, passam a ser.  
 
Como vês o futuro dos blogs? 
Não faço ideia. Gostava de ter uma resposta inteligente mas sinceramente não sei. Hoje em dia é tudo tão mutável, tão volúvel e tão rápido que talvez seja um work in progress permanente. Qualquer dia estarei a fazer cursos de sei lá o quê para me manter actualizada e não perder o comboio. Mas espero que continuem com saúde, porque foi por aqui que vim e gostava de não me ter enganado no caminho. 
 
Obrigada pela colaboração Sónia! 
 

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