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Influenciadores

Dicas, partilha de experiências e best practices sobre blogging e influenciadores digitais

01.Out.17

Entrevista Madalena Sá Fernandes, Instagrammer: A vida de uma instagrammer portuguesa

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Madalena Sá Fernandes é considerada uma das principais influenciadoras digitais portuguesas. Tudo começou quando foi viver e estudar para o Rio de Janeiro: começou a tirar fotografias e a partilhá-las no Instagram (aqui). Aquilo que era apenas uma partilha com amigos e família, começou a crescer e hoje conta com cerca de 96 mil seguidores na rede social!

Neste momento, a Madalena está à frente de uma agência digital, PE GA DA, dedicada exclusivamente a redes sociais. Para além da agência, também faz parte do programa da MTV It girls onde partilha o seu dia-a-dia e as suas experiências como influenciadora digital.

 

Nesta entrevista a Madalena fala-nos sobre as suas experiências no estrangeiro e de como se tornou uma das instagrammers mais seguidas em Portugal.

 

Sei que estiveste uns anos a viver fora, queres contar-nos como foi a tua vida nos últimos anos?

Vivi no Brasil, no Rio de Janeiro.
Fui para lá numa espécie de Erasmus que era suposto durar 4 meses e acabou por durar 4 anos. Senti que 4 meses era pouco para absorver toda aquela realidade e para fazer tudo o que queria. Estudei literatura porque não me imaginava a estudar outra coisa. Sempre adorei ler e, principalmente, escrever. Comecei o curso em Portugal e acabei-o lá.

No Brasil fiz um Minor em Jornalismo, outra área que me interessava.
Mas para mim o Brasil serviu para aproveitar a minha juventude ao máximo. Morei em muitos sítios neste período, e com muitas pessoas. Dividi quase sempre casa e, no início, dividi cama com uma rapariga que conhecia mal. Morei nas Laranjeiras, em Copacabana, no Leme, em Ipanema, no Leblon e na Gávea.

Vivi o que acho que é o melhor do Brasil: as rodas de Samba, o Carnaval, as praias, o açaí, as trilhas. Apaixonei-me pelo nascer do sol. Estive lá durante o Mundial e os Jogos Olímpicos.
Trabalhei em algumas das melhores festas de lá enquanto esperava pelo meu visto de trabalho. Comprei um skate e comecei a movimentar-me sempre assim. Tornei-me quase carioca.
Mas também vivi o pior, fui assaltada 2 vezes, presenciei um tiroteio, e assisti de perto à política absurda e às desigualdades sociais.
O que mais me apaixona no Brasil é a natureza, que parece que “ganha” sempre às atrocidades que por lá acontecem. Pude viajar pelo país e perceber a sua diversidade: Adorei Fernando de Noronha, a Chapada dos Veadeiros e a Bahia.
Fiz amigos e conheci muita gente. Todos os dias havia uma nova aventura.
Este tempo foi bom para viajar não só pelo Brasil, como pelas proximidades. Fiz um mochilão pela América do Sul, que acabou na Amazónia, onde passei 3 semanas a viver com uma tribo indígena. Só para chegar ao sítio da tribo, demorava-se alguns dias num barco de madeira semelhante a uma canoa que descia um rio agitado por ser época de chuva. Íamos parando e acampando perto das margens do rio até chegar ao nosso destino.
Em termos de viagem, esta superou todas as outras, porque consegui perceber o quão abismal pode ser a diferença de realidades, o quão vasta é a natureza e, ao mesmo tempo, o quão pouco sabemos sobre ela. Os membros da tribo sabiam distinguir cada canto de pássaro e, através dos sons, dizer onde havia água. Vi espécies de animais que não sabia que existiam. Fiz passeios noturnos para reconhecer as espécies de aranhas, tarântulas, aves.
Peguei em cobras e preguiças, e fui alvo de ataques de grupos de macacos que se sentiam invadidos e abanavam as árvores para que os ramos e frutos caíssem em cima de nós. Numa jangada de madeira construída pela tribo fomos ver os Jacarés, no fim de tarde, num silêncio lindo do qual não me esquecerei mais.

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Como nasceu o teu Instagram e porquê? Foi no Brasil ou ainda cá?

A fotografia sempre me interessou. Poder captar momentos e guardá-los para mais tarde revivê-los, fascinava-me. Este gosto é de família, já é bastante antigo.
O meu pai mostrava slides das suas viagens, o meu bisavô foi um dos primeiros a ter câmaras e era apaixonado por esta arte. A família do lado da minha mãe sempre teve boas máquinas, e desde cedo, fazemos sessões fotográficas familiares. O presente que o meu pai me deu quando acabei a escola aos 17 anos foi uma máquina fotográfica.
Por estar sozinha a viver toda esta aventura, e tão longe da minha família, quis fotografar tudo, tudo. Era frequente dar passeios só para conhecer e fotografar. Havia uma necessidade de preservar o que estava a acontecer, que por vezes não parecia real, parecia algo do universo dos sonhos.
Nesta altura, já tinha Instagram e esta rede social começava a ter sucesso.
Para mim, no início, era uma maneira fácil de mostrar aquilo que eu estava a viver a quem me seguia, na altura: amigos e família.
Depois, à medida que ia viajando, ia publicando fotografias e isso apelava a quem como eu, gostava de viajar e queria conhecer coisas novas.
Ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro, comecei a servir de modelo para algumas marcas novas e jovens, que divulgavam as minhas fotografias nas redes delas e isso contribuiu para apelar também ao universo da moda.

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Trabalhas com Marcas? Como aconteceu? Vieram ter contigo, ou tu com elas?

Nos tempos livres que, no início, eram a maioria, ia à praia, andava (e muito) de skate, e lançava-me em novas aventuras: voos de parapente, mergulho, acampar em praias desertas.
Foi assim que comecei a usar o instagram como forma de mostrar a sinergia daquilo que ia acontecendo na minha vida: viagens, paisagens, moda, praias, aventuras e skate.
Conheci alguns fotógrafos com quem ia fotografar o nascer do sol, as paisagens e as trilhas. Os conteúdos do meu instagram reproduziam aquilo que eu vivia, que para mim representa o auge da minha juventude, e que eu publicava sempre da forma que esteticamente me interessava mais.
Assim começaram as parcerias com marcas destes universos: Hotéis contactaram-me por causa das viagens; Marcas de bikinis e roupa de praia por causa da praia; e marcas de skates por causa dos vídeos de skate.

Assim, consegui alguns patrocínios e, mais tarde, contratos.
Após tanta vida boa, tinha de ganhar o meu dinheiro. Trabalhar em festas foi bom, por ter conhecido muita gente e aproveitado para me divertir mas queria fazer algo que eu gostasse mais e em horários diferentes.
Como tal, decidi fazer um MBA em Marketing no Brasil para me poder lançar nesse mercado. Apesar de ter estudado literatura, e de esta ser, como disse, a minha maior paixão, tinha consciência das dificuldades desta área no mercado de trabalho, e a comunicação no geral também me interessava.
Fiz o MBA, e durante esse tempo trabalhei no Marketing de uma empresa. Depois consegui o meu objectivo, que era entrar numa Agência de Publicidade, e entrei numa das melhores do Rio de Janeiro, a Artplan, onde estive durante o último ano no Brasil.
Foi uma experiência diferente, mais adulta, mais exigente, onde aprendi muito. Trabalhava no Planeamento estratégico com marcas grandes como a Estácio, Rock in Rio, Coca-Cola Brasil, entre outas. Conheci mais acerca do universo digital nesse período.
Paralelamente, ia desenvolvendo o meu instagram, que passou a ser não só o hobbie inicial, como um instrumento profissional, mas sempre fiel ao meu discurso e conteúdos. Também aqui comecei a trabalhar com marcas maiores.

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Sei que agora lançaste uma agência, certo? Qual o ponto de diferenciação da tua agência para as que ja existiam no mercado?

Regressei a Portugal em Março, e a conjuntura fez-se para iniciar a minha própria agência, a PE GA DA, com um sócio. Desde então temos crescido exponencialmente, e trabalhamos actualmente com 7 clientes.
O nosso foco é a proximidade e a realidade. Acreditamos que cada post é uma pegada, e que um percurso se vê melhor ao longe. Tentamos ter a relação de proximidade e confiança com os clientes: conhecemo-los bem, estamos próximos do dia a dia deles e só assim conseguimos transmitir aquilo que têm de mais genuíno da forma mais criativa.

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Sei que fazes agora um programa para a MTV? Como surgiu esse convite?

Também neste regresso a Portugal fiz uma acção com a Samsung onde fui para a neve. Esta acção era acompanhada pela MTV e foi assim o meu primeiro contacto com eles. Depois chamaram-me para um casting. Fui chamada para integrar este projecto, um programa chamado MTV it girls acerca do mundo das Redes Sociais e das Intagrammers.

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Vais continuar a ser Instagrammer? Pensas evoluir em que sentido?

Acredito que sim. Apesar de existirem outros focos na minha vida, este é um que conjuga vários interesses meus. Para além disso, integrei recentemente uma agência de modelos que agora faz a comunicação e a gestão dos contratos e ações com marcas.
A evoluir, espero que num conteúdo mais genuíno.

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Muito obrigada Madalena!

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